Realinhamento
- Shyamgauri DD
- 27 de abr.
- 3 min de leitura
Atualmente, independentemente da crença ou da meta espiritual a ser alcançada, temos ouvido muitas pessoas ressaltarem a importância da prática sincera da Gratidão, de saber agradecer.
Hoje no entanto, prefiro abordar com vocês, um enfoque diferente: o aspecto da consciência que nos leva a refletir sobre a Ingratidão ou a não Gratidão.
Para compreendermos melhor, sugiro vocês a refletirem primeiramente sobre o que é ser grato.
A quem agradecer?
E por quê?
Há dois aspectos fundamentais a serem compreendidos.
Pessoas com tendências mais materialistas sentem gratidão quando, de algum modo, são beneficiadas pelo outro na conquista de algum objetivo ou meta pessoal, na obtenção de um bem desejado ou na realização de uma meta ambicionada.
Há também aquelas pessoas mais atentas às indagações, filósofas em busca da Verdade, de uma realização interior profunda, ou mesmo pessoas religiosas, as quais compreendem que nada está totalmente sob nosso domínio.
Por isso, se sentem agradecidas ao que o "Universo" ou "Deus" lhes tenha concedido sem que tivessem esperado algo por isso.
Essa Gratidão torna-se um reconhecimento espontâneo, que surge ao recebermos algo, cientes de que nada controlamos.
Entretanto, me é curioso observar o comportamento desatento de algumas pessoas, diante desse generoso fluxo dinâmico que nos alcança.
Mesmo sendo agraciados por afetos sutis, muitas vezes positivos, que nos chegam sem que peçamos, muitas vezes não observam o quanto somos contemplados por um amor e cuidado silencioso.
Muitos de nós, absortos em nosso próprio mundo mental, sem percebermos, ficamos como presos fechados em nossos próprios pensamentos, sem enxergarmos o movimento favorável que surge por vezes em nossas vidas, além do esperado.
E o outro?
O que tem o outro a ver comigo?
Essa é a uma questão primordial.
Dia a dia, aprendemos a colocar nossa mente na condição de nos sentir auto-suficientes, e que é natural vivermos para sempre sermos servidos.
Infelizmente muitos de nós não percebe que, para toda a ação que deliberamos, haverá sempre uma reação de contrapartida.
Como uma via de duas mãos, estamos cotidianamente envolvidos por pessoas para a realização de nossos objetivos, as quais nos passam despercebidas, sem nos dar conta da importância que cada um exerce em nossas vidas e em nossas conquistas.
Penso em chamar este aspecto de uma espécie de cegueira, ou Ingratidão.
A Ingratidão não é maldosa.
É pior.
É apatia inconsciente!
É alienação.
É a prática de um egoísmo que se revela como já citei, uma cegueira existencial — uma escolha degenerativa, que compromete a condição superior humana de viver neste mundo.
A Consciência Existencial — início de qualquer caminho de autoconhecimento — passa pela consciência e respeito, pela consideração, pela integração e pela interação natural com a vida e com o próximo.
É a prática saudável, amorosa de quem se firma nas bases sólidas das virtudes, dos princípios, do afeto, do respeito sadio e na convivência com todos os seres vivos e a tudo o que nos cerca.
Ser grato é um movimento de lucidez diante da vida.
Significa estar "acordado" ao que nos envolve e, com inteligência, reconhecer que não somos donos do Universo, que não o controlamos e que, para cada mínima ação, haverá sempre uma reação, com benefícios ou malefícios.
Isso dependerá do tipo de "plantinha" que estivermos cultivando em nosso jardim consciencial com nossas escolhas e atitudes em nossas relações.
Com sincero afeto, sugiro que reflitamos mais profundamente sobre a qualidade, sinceridade e dedicação nas relações que cultivamos.
A qualidade de respeito e relação que possamos estar oferecendo com quem eu me relaciono, será a mesma, que um dia, mesmo sem que eu perceba, chegará a mim como um aprendizado.
A vida é um instante, no qual colhemos arduamente os resultados de nossas ações e reações, até que consigamos pela consciência espiritual
sair de nosso pequeno mundo infantil e egoísta, limitado e imediatista tão somente ao meu total prazer e desfrute.
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