Consciência de Si
- Shyamgauri DD
- 27 de abr.
- 2 min de leitura
Nossa mente se ocupa, quase que incessantemente, daquilo que nos leva a apegar e rejeitar, instável, volátil, facilmente arrastada.
Agimos conduzidos pelos nossos samskaras (impressões, lembranças), sejam conscientes ou inconscientes e, na maioria das vezes, sem percebermos.
Observar-se, conhecer-se, refletir, analisar-se, discriminar ações, atitudes, pensamentos e falas, este é o verdadeiro início de enxergarmos a nós mesmos na realidade, para além deste corpo material.
Observarmo-nos “por dentro”.
Mas não basta querer superficialmente.
É necessário desejar de verdade, praticar com constância e viver isso todos os dias.
É simples, mas não é fácil.
Para isto, exigirá de nós vontade firme, tempo, disposição, e, acima de tudo, humildade e resiliência.
E por que isso se faz necessário?
Porque quase a maior parte das pessoas alimentam, silenciosamente, a idéia de que somos melhores do que realmente somos.
Muitas vezes, construímos para nós mesmas, uma auto imagem distorcida, quase sem falhas, e a partir dela, justificamos nosso modo de ser, nossos erros, projetando nos outros aquilo que não queremos reconhecer em nós.
No entanto, quando surge um instante real de sinceridade espiritual, raro, mas decisivo ao nosso crescimento e evolução, começamos a nos despir diante de nós mesmas, a nos questionar, e algo desconcertante pode acontecer:
Podemos nos deparar com alguém que não conhecemos.
E, mais ainda, alguém que talvez não gostaríamos de conhecer.
Uma visão marcada por defeitos, distorções, incoerências.
Aspectos que evitamos encarar, mas que, contraditoriamente, condenamos com facilidade no comportamento alheio.
É aqui que muitos recuam.
Porque ver é o fácil.
Aceitar é o difícil.
E para nos transformarmos exigirá coragem.
A vida espiritual verdadeira não se sustenta em idéias elevadas ou discursos bonitos.
Ela exige, inevitavelmente, sinceridade real, coragem moral e persistência para enxergarmos, sem concessões, aquilo que na realidade somos.
E exige também orientação, a guia de um Guru autêntico, fiel a uma linhagem de ensinamentos divinos, eternos e imutáveis.
A Verdade é uma.
E tudo aquilo que se adapta, ou se ajusta às nossas conveniências, que muda conforme nossas justificativas ou fragilidades, não é Verdade,
é uma construção de nossa mente.
O caminho da consciência espiritual e do autoconhecimento é longo.
Mais longo do que podemos imaginar.
E muito além daquilo que acreditamos já compreender.
Buscamos evolução, mas Transcendência, segundo a Filosofia Védica, começa antes.
Começará quando uma Vida Sattvica (de pureza) deixar de ser conceito e se tornará uma realidade e uma possibilidade para nós.
Quando a Consciência, o Autoconhecimento, a Tolerância, a Humildade e o Respeito a tudo e a todos já não são mais esforços ocasionais, mas uma prática escolhida, firme, constante e inegociável, sem dúvidas, medo, ou hesitações.
Nenhum crescimento virtuoso pessoal será possível, sem coragem (humildade), determinação, disciplina e constância.
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