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Vista do jardim
O Gauḍīya Vaiṣṇavismo pode ser classificado majoritariamente em dois grandes grupos: ISKCON e Gauḍīya Maṭha (IGM — Instituições) e a Tradição Gauḍīya Vaiṣṇava (TGV — Linhagens tradicionais).
Dentro do primeiro grupo encontram-se as chamadas IGM — as instituições correspondentes à ISKCON e à Gauḍīya Maṭha, a primeira fundada por Bhaktivedānta Svāmī e a segunda por seu guru Śrīla Bhaktisiddhānta Sarasvatī Ṭhākura.
Considerando-se portadores do dever de ajustar a prática de bhakti à era atual (Kali-yuga), estas instituições e seus fundadores rejeitaram a tradição e o sistema original, criando uma nova forma de praticar bhakti.
Dentre as características desta nova abordagem, encontra-se o avivamento missionário: seus fundadores procuraram “traduzir” a mensagem da bhakti para o mundo e para os desafios sociais que eles enxergavam e consideravam importantes.
Dentre as visões polêmicas que surgiram nessas escolas, encontram-se a criação do chamado “Bhāgavata-paramparā” e da “Bhāgavata-dīkṣā”, em contraste com o sistema tradicional pañcarātrika, bem como a criação da ideia de “guru-vāda” — teoria que afirma que, mesmo quando desprovida de harmonia com o śāstra, com as práticas da sucessão discipular e até mesmo contradizendo-os, a instrução do guru deve ser considerada válida. Visão que, infelizmente, conduziu muitos indivíduos dentro destas instituições a aderirem a visões de mundo fundamentalistas.
O resultado desta revolução foi uma nova apresentação do Gauḍīya Vaiṣṇavismo, a qual na opinião dos editores deste website, é mais “fácil”, entretanto diluída. Esta nova apresentação foi feita segundo a proposta dos fundadores destas instituições, os quais tinham como seus objetivos assegurar a rápida e constante expansão e a manutenção da estrutura institucional através do proselitismo em massa, o qual é considerado uma prática de bhakti por estas instituições.
Embora haja o mérito de esta nova abordagem ter levado milhares de indivíduos a ouvir sobre uma versão de bhakti, ela parece ter priorizado, em vários aspectos, a velocidade de sua propagação e a autoridade institucional em detrimento da preservação dos postulados filosóficos e tradicionais herdados na sucessão discipular.
Na direção contrária deste modelo, encontramos a chamada Tradição Gauḍīya Vaiṣṇava (TGV), designada de Parivāras. Três linhagens são as mais proeminentes neste grupo devido à sua enumeração no Śrī Caitanya Caritāmṛta — Gadādhara Parivāra, Nityānanda Parivāra e Advaita Parivāra —, mas não são as únicas, pois inúmeras outras linhagens igualmente brilhantes, cada uma possuidora de sua vasta gama de ānugatya, permanecem existindo até hoje.
As Parivāras não são um grupo especifico, mas uma serie de linhagens que se originam nos associados de Śrī Caitanya, nos quais através da sucessão discipular ininterrupta mantem praticas particulares e especificas daquele nitya-siddha.
A Gadādhara Parivāra — linhagem à qual pertencem as pessoas responsáveis pela gestão deste website — se destaca por sua estrita fidelidade ao siddhānta estabelecido pelos Gosvāmīs de Vṛndāvana, especialmente no que tange às obras de Śrī Rūpa, Sanātana e Jīva Gosvāmī.
Num espírito de restauração e preservação, a Gadādhara Parivāra guarda a prática alinhada ao śāstra em seu estado original, segundo os estudos profundos da filosofia indiana tradicional — desde os Vedāṅgas, passando pelos darśanas como Nyāya-Vaiśeṣika, Yoga e Sāṅkhya, pelo esforço hermenêutico da Mīmāṃsā e do Vedānta dos Purāṇas e dos Upaniṣads, culminando no estudo do Śrīmad Bhāgavata Purāṇa, o fruto final da literatura védica.
O objetivo das parivāras vai alem da conservação histórica, o objetivo é o oferecimento da vivência orgânica do Bhakti-rasa tal como originalmente distribuído e sistematizado pelos Gosvāmīs de Vṛndāvana — receptores da kṛpā de Caitanya — em obras como os Ṣaṭ-sandarbhas, Bhakti-rasāmṛta-sindhu, Ujjvala-nīlamaṇi, Hari-bhakti-vilāsa etc., conforme recebidos através da sucessão discipular (Dīkṣā e Śikṣā).